Crónica de Ivan Valério: O caçador e colecionador de moscas

Mosca

Afonso da Purificação, 34 anos, proprietário de um blogue sobre caçadas em África, residente em Brinches. Olhe, esta minha paixão por caçar e colecionar moscas vem praticamente da infância. Podia colecionar borboletas como as ditas pessoas normais, mas isso é um pedaço abichanado. Resolvi então fazer uma coleção de verdadeiro macho alfa: moscas. A minha mãe no início estava sempre a dizer-me que aquilo era “uma coleção de merda”, mas eu nunca lhe dei ouvidos e mantive-me firme. Eu vivo intensamente a coleção e tenho mais de cinco mil moscas devidamente acondicionadas em lamelas de vidro. O mais entusiasmante neste processo são de facto as caçadas: – por vezes chego a estar uma hora observando uma mosca pousada num cagalhão de cão à espera do momento certo para capturá-la. É um momento digno de uma caçada em África e por instantes no universo só existo eu, a rede de captura, a mosca e o cagalhão. E nos dias, raros, em que consigo capturar uma mosca varejeira subo ao céu e é como se fosse o Ronaldo erguendo em braços mais uma bola de ouro. Com a diferença que eu não beijo o troféu. Na Língua Portuguesa a minha expressão favorita é “vai-te encher de moscas” e quando falecer o meu sonho é ser atirado no campo para as moscas me devorarem. O meu grupo musical favorito são os argentinos La Mosca e passo os dias a cantarolar o seu tema “Yo rompere tus fotos, yo quemare tuas cartas, para no verte mas, para no verte mas”. Quem não se lembra deste hit dos anos 2000? Por último dizer que gostava de realizar uma série tipo a dos zombies mas só com moscas em que as pessoas picadas pelas temíveis moscas desatavam a pisar cagalhões de cão nos passeios e jardins das cidades.

Publicações relacionadas

Leave a Comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.